19/02/2016

[Pt] Saber, Fazer, Saber Fazer, Fazer Saber (3/7)

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Managing Partner

Se o conhecimento é um ativo (no sentido de recurso, não no sentido contabilístico do termo), então tem que ser gerido como tal. Como qualquer outro ativo, o conhecimento está sujeito a depreciação. Tal como um equipamento state of the art que se adquire num determinado momento pode ser uma vantagem competitiva, também o conhecimento adquirido state of the art pode ser indutor de uma vantagem sobre a concorrência.

 

Mas a vantagem competitiva baseada em conhecimento de vanguarda, adquirido numa determinada ocasião, é apenas temporária, porque, tal como acontece com qualquer equipamento tecnologicamente avançado, a concorrência poderá, regra geral, não só igualar com relativa facilidade, adquirindo conhecimento/equipamento semelhante, e também porque, com a rápida evolução do/a conhecimento/tecnologia, o que hoje é state of the art, poderá estar ultrapassado amanhã de manhã.

 

Há contudo uma diferença importante entre um ativo intangível como o conhecimento e um ativo tangível como uma máquina. Enquanto que a aquisição de um ativo fixo só pode acontecer de forma ocasional, porque seria materialmente impossível comprar, substituir e renovar equipamentos todos os dias, a aquisição de conhecimento pode ser feita de forma contínua.

 

Pode também comparar-se o conhecimento ao stock de um bem perecível. Quando é adquirido, um bem perecível estará potencialmente numa condição ótima, no máximo do seu valor, mas, com a passagem do tempo, vai-se inevitavelmente degradando, perdendo qualidades, e portanto valor. Para que o stock desse bem mantenha o seu valor é indispensável renová-lo permanentemente, adquirindo novo stock e libertando stock antigo, através da sua utilização, ou da sua eliminação quando o seu tempo de vida útil chega ao fim e já não serve para nada.

 

Esta analogia, tal como a anterior (a dos bens de equipamento), tendo a vantagem de ajudar a perceber uma ideia intangível, não é porém totalmente precisa. A degradação de um qualquer bem perecível é facilmente perceptível pelos sentidos: muda de aspeto, de cor, de cheiro...Mas a degradação do conhecimento imaterial, não só não se vê, como é difícil de medir. Só realmente podemos aperceber-nos dela pelas suas nefastas consequências. 

 

Uma outra importante diferença entre o stock de um bem e o stock de conhecimento está relacionado com a existência de uma capacidade ou limite. No plano físico, a acumulação de um bem perecível não é ilimitada, está sempre condicionada pela capacidade de armazenagem. No que respeita ao conhecimento, não existindo uma limitação física, não deixa de haver uma condicionante, que é a capacidade que uma certa organização tem, em determinado momento, de captar, desenvolver, internalizar, integrar, padronizar, distribuir internamente e explorar conhecimento útil, aquilo que se pode designar por capacidade de assimilação. Esse limiar constitui um nível de saturação que poderá impedir a absorção de mais conhecimento. Contudo, de forma contraintuitiva, esse limiar, ao contrário da capacidade de armazenagem física, tem propriedades intrínsecas de elasticidade e expansibilidade. Estudos no âmbito da psicologia e das ciências cognitivas têm evidenciado que a capacidade de assimilação de uma organização é expansível, não existindo a priori um limite absoluto, sendo que o limiar num dado momento é sobretudo determinado pelo nível de conhecimento já existente na organização. Isto implica que, quanto mais se sabe, mais fácil é aprender e o seu contrário, isto é, quanto menos se sabe, mais difícil é aprender. Ou seja, parafraseando o título de um livro do psicanalista João dos Santos, com co-autoria de João Sousa Monteiro, se não sabe porque é que pergunta?

 

Em suma, numa empresa em que o conhecimento é um ativo fundamental, é determinante estar sempre a aprender, tanto pela prática como pelo estudo, sob pena de se ir, de forma gradual mas inexorável, perdendo competitividade. Se uma empresa deixar de aprender pelo menos tanto e à mesma velocidade que os seus concorrentes, irá, do mesmo modo que o sapo se deixa, em feliz inconsciência, ir cozendo em lume brando na panela de água quente, estar condenada à extinção. Pelo contrário, se conseguir sistematizar e agilizar os seus processos de aprendizagem, será cada vez mais capaz e competente para enfrentar os desafios competitivos e para criar valor no mercado, condição indispensável do crescimento e da prosperidade de qualquer organização.

 

Há contudo que ter sempre em consideração o fator capacidade de assimilação, o que tem duas implicações: (1) a necessidade de se ser seletivo naquilo que se aprende, para que se aprenda aquilo que realmente importa, aquilo que faz a diferença e não ocupar uma capacidade limitada com conhecimentos pouco úteis, ou conhecimentos desatualizados, ou conhecimentos não aplicáveis em atividades criadoras de valor e (2) a necessidade de, através de aprendizagem sistemática, ir aumentando de forma consistente, não só o que sabe, mas também a capacidade de assimilação de mais conhecimento. Não basta aprender. É preciso aprender bem.

Questão: se é importante aprender, porque é que em muitas empresas se aprende tão pouco?

Saber Fazer Conhecimento development

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